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Évora: preparo da nova geração

Família empresária Ling redesenha governança para preparar a chegada da terceira geração


A Fitesa é uma das empresas da holding Évora, que produz não-tecidos, material presente em colchões, fraldas e roupas médicas, entre outros itens. É definido como uma estrutura plana, flexível e porosa. Com uma certa licença, é possível fazer uma analogia com o plano de governança da Évora ao longo do tempo.


O primeiro movimento se deu em 1996, quando o fundador Sheun Ling, então com 74 anos, passou o bastão da gestão para William, o segundo dos quatro filhos e o primeiro a se envolver com os negócios. Na juventude, todos fizeram estágio na empresa, porém, à época da sucessão, Winston e Rosa estavam em pontos da carreira e da vida pessoal que não os colocavam como possíveis gestores. Wilson, o mais novo, também atuava na gestão, construindo sua trajetória. William, executivo do grupo desde 1988, acredita que ter ajudado o pai em momentos críticos e ter montado o time de lideranças foram fatores que pesaram na escolha. “Foi um processo penoso, principalmente para o meu pai, que tinha de escolher o sucessor executivo de uma forma harmônica. E havia a questão pessoal dele, de uma vida muito dedicada ao trabalho. No final, houve um consenso de que a decisão era adequada. Houve apoio da família e o meu pai, depois que passou o cargo, não interferiu mais”, conta.


Em 2005, os irmãos William e Wilson iniciam uma nova transição, planejadamente deixando seus cargos na gestão e apontando o primeiro presidente não-familiar da companhia. Instituem também o Comitê Executivo, instância criada entre a diretoria executiva e o Conselho de Administração. “O que motivou essa decisão foi termos um time de executivos muito bem preparados e que estava pedindo espaço. Sempre tivemos a filosofia de desenvolver internamente as nossas lideranças. Nós cobrávamos da nossa equipe a formação de sucessores para as suas funções, então tínhamos de dar o exemplo”, diz William. Na sequência, foi criado o Conselho de Família, com os quatro membros da segunda geração.


No inicio de 2020 foi implantado o Conselho de Acionistas, e o Conselho de Família constituiu Comitês de Investimento e de Filantropia. É o resultado de um trabalho que já envolve a terceira geração, em grande parte capitaneado por Anthony, filho de William. Anos antes, ele havia sido identificado como uma potencial liderança da terceira geração, enquanto construía sua carreira nas áreas de arquitetura e urbanismo. Foi convidado pela família a se preparar para um papel futuro, com uma trajetória vinculada à Évora. Entre preparar-se, cursar um MBA de padrão mundial e munir-se de informações foram quase quatro anos.


Foi ele quem propôs ações de formação e desenvolvimento para membros da sua geração. “A ideia era começar a trazê-los para esses assuntos de governança e sucessão, mostrar o que é ser acionista”. Segundo ele, é uma etapa de preparação. “Hoje temos uma visão um pouco mais clara sobre os interesses e os planos de cada primo para os próximos anos.”


Para Wilson, esse é o propósito do redesenho da governança. “Há perfis com diferentes níveis de formação e de conhecimento. Então, precisamos de um modelo que, com fóruns adequados, dê segurança e estabilidade para a terceira geração”, analisa.



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