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O nosso recurso mais precioso

Renato Bernhoeft reflete sobre o tempo e a sua relação com o dinheiro



O ditado “tempo é dinheiro”, vem de longa data e continua sendo muito utilizado, mesmo nos dias atuais.


Raramente se fala, ou até mesmo abordamos, uma contradição embutida no mesmo. Afinal, o dinheiro é possível guardar, recuperar, fazer render ou imaginar em aplicações futuras com base em experiências passadas.


Entretanto, não é possível guardar, recuperar ou reviver momentos ou sensações que deixamos de desfrutar no passado, mesmo com arrependimentos ou frustrações. Afinal, o tempo é um recurso finito. O que o torna, de fato, o recurso mais precioso do qual dispomos, e exige consciência e muito cuidado.


Vale ressaltar que não estamos apenas discutindo técnicas ou metodologias de administração do tempo. Mas, algo muito mais abrangente e que se relaciona com a nossa vida, em seu sentido mais completo e em seus impactos sobre a qualidade da nossa existência.


O tempo engloba muito mais do que simples “duração”. Ele está intrinsicamente ligado à sensação que seu uso provoca em nós. De acordo com alguns autores, ao longo da existência, o tempo não possui a mesma duração subjetiva para nós.


Estudiosos dividem o tempo em diversas dimensões, que nos auxiliam a compreender sua importância, e a encontrar formas de satisfação na qualidade do seu uso e seus efeitos sobre nós. Aqui estão três dimensões que podem nos levar a reflexões mais profundas sobre o tema:

  1. O tempo da natureza se refere ao tempo cósmico, desde os 15 milhões de anos depois do big bang original. Essa dimensão abarca os impactos do nosso sistema solar mais próximo, como o ciclo do dia e da noite, as variações de temperatura e os ciclos naturais;

  2. Há também o tempo da sociedade, que representa o tempo moderno, nos perseguindo de perto. Originado da multiplicação e aceleração das relações interpessoais, é uma convenção composta por códigos e práticas entrelaçadas. Este tempo impõe ritmo e marcação para cada parcela de atividade. Emana do exterior e não é parte de nós mesmos;

  3. Por último há o tempo vivido, intimamente ligado ao tempo da sociedade, mas distinto dele. É composto por percepções, sentimentos e pela nossa constituição biológica pessoal. Esse é o tempo que, frequentemente, sentimos falta, especialmente porque se diz que o tempo, com a idade, parece encolher.


A consciência de que nosso estoque de tempo é limitado, não renovável e de que a cada dia perdemos um pouco dele, confere a cada minuto, a cada segundo, uma qualidade singular. Estudos do pesquisador Jean-Louis Servan-Schreiber, no seu livro “A arte do tempo”, corroboram isso.


Em ultima análise, como o autor menciona, talvez fosse mais adequado substituir a palavra "tempo" por "vida", já que, na prática, ambos são a mesma coisa.


O propósito deste artigo é provocar reflexões individuais sobre o tema, conectando-o com o momento de vida de cada pessoa.


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