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ChatGPT evidencia a busca de diferentes formas de pensar e agir do ser humano

O colunista Renato Bernhoeft comenta sobre as críticas que a ferramenta faz surgir no mundo do trabalho e acadêmico, e aborda a importância de dedicar tempo e atenção à leitura, escrita e pesquisa como forma de autodesenvolvimento.

Desde o surgimento da IA - Inteligência Artificial – somos surpreendidos a cada dia com avanços e desafios que a tecnologia cria para o ser humano. Ou, colocado de outra maneira, é o próprio ser humano que ao ampliar seu conhecimento, cria novos instrumentos vinculados ao avanço tecnológico.


O mais recente, e que está causando grandes debates, discussões e análises, é o ChatGPT, que realiza pesquisas sobre toda informação disponível e escreve textos conforme solicitado. Considerada uma ferramenta da Inteligência Artificial, foi desenvolvida por uma companhia de São Francisco, nos Estados Unidos, em 2018 pela OpenAI, e já tem atraído mais de um milhão de usuários por dia.


Curiosamente a maior parte das restrições, críticas e temores têm surgido no mundo acadêmico e no mercado do trabalho. Elas estão baseadas no fato de que muitas das teses, ideias, projetos ou propostas possam ser plágio obtido através da simples consulta ao ChatGPT.


O fato é de que, quando solicitado, o instrumento fornece um texto bastante completo com base em pesquisa de tudo o que já é conhecido ou pesquisado nas mais distintas fontes e origens.


E uma das críticas, tanto para estudantes, acadêmicos ou profissionais de distintas áreas do conhecimento, é de que as pessoas simplesmente solicitam uma informação e ela já vem apresentada de uma forma bem elaborada, tanto do ponto de vista do texto como do seu conteúdo.


Considerando que vivemos em uma sociedade cada dia mais complexa, a observação que alguns estudiosos tem feito, é de que a maioria de nós se acomoda com a simples informação. A saber, o registro do conhecimento já disponível.


O que não tem sido desenvolvido é a capacidade de gerar novos conhecimentos, com a ampliação da pesquisa ou até da curiosidade que deve caracterizar o desenvolvimento do ser humano. Ou até mesmo o espírito de pesquisa, questionamento e busca das diferentes formas de pensar e agir.


E aproveitando todos esses debates e críticas que o ChatGPT tem provocado desejo apenas usar esta crônica para reforçar um estímulo já bastante conhecido para o autodesenvolvimento do ser humano. Estou me referindo à importância de dedicar tempo e atenção à leitura, escrita e pesquisa.


Precisamos criar e estimular o hábito da leitura, e desde a infância, como uma forma não apenas de desenvolver vocabulário, mas a imaginação, fantasia e criatividade. Muitos devem lembrar de que muitas vezes, ao verem um filme baseado num livro que já leram, a conclusão é de que o livro era bem melhor. Mas isso ocorre porque na leitura desenvolvemos nossa fantasia e imagem. O que num filme nos é apresentado já de forma conclusiva.


Quanto ao escrever vale criar uma disciplina de registrar fatos, ideias, pensamentos e inquietudes que fazem parte do nosso dia-a-dia, ou daqueles com os quais convivemos. Como exemplo podemos criar o “diário”, ou registros da vida familiar para preservar o legado.


Compartilho aqui um antigo hábito de que ao nascimento de cada neto, escrevo uma carta ao mesmo(a) registrando o momento e suas expectativas. Para muitos tem funcionado como um registro significativo da sua chegada ao mundo.


E vale também canalizar a curiosidade como uma forma permanente de reflexão e pesquisa. O que pode desenvolver uma permanente forma de buscar novas interpretações e desafios para a continuidade da vida.


Enfim, são apenas algumas provocações para que cada um possa ver, apreciar, e tentar entender as mudanças que estão ocorrendo ao nosso redor.


matéria publicada no Jornal Valor Econômico em 24/03/23

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