AÇOTUBO - SUCESSÃO FIRME COMO AÇO

Há 46 anos no comando da Açotubo, a família empresária Bassi redesenha gestão e sociedade para garantir a continuidade dos negócios


Uma empresa com mais de 40 anos de história, uma forte veia empreendedora, três irmãos fundadores muito dinâmicos, acima dos 60 anos, e com uma visão de longo prazo para o sucesso. Para o Grupo Açotubo, a passagem para a segunda geração vem sendo feita com uma atenção especial aos valores da família e da empresa.


Luiz Bassi, nascido em Tabapuã (SP), e seus irmãos Ribamar Bassi e Wilson Bassi, nascidos já nas novas terras do Paraná, cresceram em meio às plantações de café. Fortes geadas e a praga da broca, que dizima plantações, fizeram as três irmãs mais velhas, Maria, Denir e Edna, mudar para São Paulo no fim dos anos 60 para trabalhar no comércio. Logo os três irmãos vieram juntos para a capital. Atuaram no varejo de tecidos, depois foram meeiros em uma banca de frutas em feira pública. Mais tarde, a família teria uma banca de jornais no bairro paulistano da Penha.


O filho mais novo, Wilson, trabalhava como office boy em uma revendedora de aços, a Guelfi, e ficou sabendo que a empresa precisava de dinheiro para continuar operando. Com os recursos da venda de terras no Paraná, Luiz se juntou à sociedade.


Um ano depois, em 1974, a família empresária Bassi criou a Açotubo em São Paulo, como uma revenda de aços e tubos de aço carbono. A partir do primeiro pedido de 110kg de material, a empresa foi se desenvolvendo, conquistando clientes cada vez maiores e ganhando espaço até se tornar uma das líderes nacionais na distribuição de aço. Os irmãos e sócios sabem, porém, que o sucesso passado não é garantia de bons resultados futuros. "São 46 anos de crescimento e superação de crises. É claro que fazer a transição para uma nova geração dá um grande frio na barriga", comenta Ribamar, sócio fundador da Açotubo.


Essa não é uma mudança feita de forma irrefletida. Na realidade, é a consolidação de um processo que vem sendo construído há quase oito anos. "Sabíamos que precisávamos nos preparar para o futuro. Meu irmão Luiz hoje tem 74 anos, eu tenho 66 e o Wilson, 63. Uma hora precisaríamos passar o bastão para os nossos filhos e vimos que seria muito bom ter os mais novos com a gente", diz. Para isso, o primeiro passo foi constituir um Conselho Consultivo, composto pelos fundadores e um conselheiro independente. Ao mesmo tempo, a segunda geração foi ganhando mais autonomia.

O primeiro a chegar à empresa foi Bruno Bassi, que desde 2002 passou por todas as áreas da empresa. "Comecei como estagiário e percorri as áreas técnicas, até gerenciar a produção. Depois, parti para funções administrativas", diz. Em 2015, Bruno passou a ser o gerente executivo corporativo, comandando o administrativo, financeiro, RH, jurídico, qualidade e TI.


Quatro dos cinco filhos dos fundadores atuam na empresa. "Temos plena confiança, porque eles se dedicam muito e tomaram as rédeas das áreas com as quais têm afinidade. Nós viemos acompanhando e apoiando essa evolução", diz Ribamar. "Eles cresceram ouvindo pais e tios, vivendo de perto o crescimento do negócio familiar. Quando vieram trabalhar na empresa, encontraram oportunidade de se dedicar de acordo com o que mais gostavam de fazer. A vontade eles tinham, a experiência eles ganharam nesses anos todos", afirma.


Transição em sintonia

"Essa transição veio sendo amadurecida ao longo dos anos e estava marcada para o meio do ano, e veio a pandemia. Foi justamente um momento em que toda a família se aproximou ainda mais, sabendo o quanto este período vem sendo desafiador", comenta Bruno. Em função da pandemia, Bruno assumiu a direção executiva, mantendo seu papel como gerente corporativo. "Fizemos um plano de guerra para transitar entre as áreas técnicas e corporativas e, assim, ganhar conhecimento sobre tudo o que acontecia na empresa", conta.

Durante a pandemia, a primeira geração, de forma virtual, e a segunda geração, presencial, se uniram ainda mais para acompanhar tudo o que acontecia, e esse é um saldo muito positivo deste período. "A crise vem sendo uma oportunidade de reforçar nossos laços para garantir a continuidade do negócio", diz. A legitimidade já existente para a transição se fortificou ainda mais entre todos os membros da família. "É algo que veio muito pacificado e com a concordância de todos. Estamos na mesma visão", acrescenta.


Ainda em 2020, a nova estrutura será oficializada, comunicada e celebrada, como a primeira transição geracional da família Bassi, onde a segunda geração passa a liderar a gestão e os fundadores assumem novas funções, no Conselho Consultivo e no Conselho da Holding. "A vantagem de aproveitar este momento para realizar as mudanças é que antecipamos uma discussão que aconteceria de qualquer maneira, mas podemos realizar esse processo com tranquilidade e critério, sem nenhuma crise familiar", explica Ribamar.


A transição de gerações também dará um novo impulso ao crescimento da Açotubo. "Os mais novos têm muitas ideias, aquela ambição positiva de fazer e acontecer. Nós, quando envelhecemos, já ficamos em um outro ritmo. É um processo natural, mas que precisa ser bem trabalhado para não impedir a expansão da família empresária", acredita o executivo.


Em paralelo, há um movimento também na sociedade. "Quando esse processo terminar, daqui a um ano ou dois, os cinco membros da segunda geração terão 100% da Açotubo", diz Ribamar. Já outros negócios do grupo, como a Trialle, a empresa incorporadora imobiliária e a Tirreno, a empresa financeira, continuarão 100% nas mãos da primeira geração.


A definição do projeto de vida de cada integrante da família, realizado também neste período de 2020, foi um passo importante no projeto sucessório, garantindo um maior alinhamento que fortalece o coletivo. "Temos a vantagem de poder fazer tudo isso com calma. A empresa é um sonho de toda a família e está consolidada no mercado, o que deixa todo mundo em uma situação mais confortável para alinhar a visão de futuro e dar continuidade ao patrimônio da família empresária", finaliza Ribamar.



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