Grupo Simões | GÁS TOTAL PARA ATUAR EM FAMÍLIA

Grupo Simões estimula diálogo entre as várias gerações das famílias fundadoras para desenvolver senso de unidade e preparar seu futuro.


A governança é viva, ela se transforma constantemente. É como se cada dia fosse a preparação para o amanhã. Os negócios mudam, a família evolui, e a governança familiar societária precisa não só acompanhar essas mudanças, mas também viabilizar o nosso futuro”. A definição de Vanessa Simões Silva Cavalcanti, presidente do Conselho de Família e membro da terceira geração do Grupo Simões, neta do fundador Antonio Simões, reflete 15 anos de evolução da governança na família empresária.


Fundado em 1943, o grupo Simões é composto por três famílias fundadoras. Nos anos 80, a primeira geração desenvolveu holdings familiares, mas a grande transformação na governança aconteceu em 2004. “Nessa época, a segunda geração já fazia parte do Conselho de Administração do grupo e das áreas operacionais. A grande virada foi definir as três famílias como sócias e aderir a boas práticas, com a criação do Conselho Familiar e de uma gestão operacional não-familiar”, lembra IedaBaraúna Pinheiro Carvalho, filha do fundador Petrônio Pinheiro.


“Fomos a primeira empresa de Manaus (AM) a trilhar esse caminho. Havia um grande desconforto pelo desconhecimento. Imagine pessoas que viveram a vida no operacional e, agora, não tinham mais essa atuação. A própria família precisou se reencontrar, e esse desenvolvimento segue até hoje”,comenta Ieda. Os filhos da segunda geração hoje são adultos, têm atuação na estrutura societária familiar e a quarta geração também vem sendo preparada para o papel de acionista.


Mudar para continuar forte

Os mais de 15 anos de Conselho Familiar ajudaram a família empresária a assumir novos papeis. “No início, pensar como só-cios era mais difícil, pois tínhamos uma visão muito do operacional. Depois isso ficou mais claro e a partir daí passamos a olhar para o legado e não só para a em-presa. Criamos uma visão que é muito maior que o negócio”, conta Ieda.


Justamente por isso, os membros das famílias trabalham o presente comum olhar no futuro. “Precisamos levarem conta não só o que é relevante hoje, mas também considerar que a nova geração, que está na casa dos 20 e poucos anos, pensa diferente de nós. No Conselho Familiar, temos pessoas de 21anos conversando sobre negócios com pessoas de 65 anos. Nosso trabalho é fomentar assuntos relevantes, olhando para o futuro e criando o Grupo Simões do futuro”, diz Vanessa.


Nessa formação de uma nova visão, há valores que não são negociáveis, que fazem parte do DNA das famílias e do grupo. Entre esses valores estão Respeito, Credibilidade, Determinação e Excelência. “Podemos negociar aquilo que não ferir esses valores que aprendemos com nossos fundadores. Tudo é conversável, menos esses valores”, comentaIeda. “Uma coisa que aprendemos é que família é inclusão e não podemos deixar ninguém no meio do caminho. Se alguém está infeliz com algo que está no protocolo familiar, precisamos conversar sobre isso e, se não ferir os nossos valores, podemos rever”, explica. “Nosso propósito maior é nossa união e nossos valores, e revemos regras e conceitos em função disso”, acrescenta Vanessa.


Em 2020, as famílias empresárias escreveram um novo acordo de acionistas, revisitando o documento escrito em 2010. Naquela época, a terceira geração entrava de vez na estruturação da governança, e as famílias passavam a focar a preparação dos futuros acionistas. Foi definido, então, o Projeto 2020, para tratar da formação da próxima geração. Um dos destaques do projeto foi o desenvolvimento de um programa de integração da nova geração, tanto no Conselho de Administração quanto no Conselho Familiar. “Foi uma forma de estreitar o relacionamento entre os mais novos e os mais velhos”, conta Ieda.


Os jovens tomaram conhecimento da dinâmica dos conselhos, dores e alegrias, e do que significa ser um conselheiro. Ao mesmo tempo, os mais velhos passaram a ouvir os mais jovens, mesmo que eles ainda não tivessem direito a voto. Ieda e Vanessa foram “conselheiras ouvintes” nos conselhos por quatro anos, uma experiência considerada muito positiva. “Foi excelente no nosso amadurecimento e para entendermos quem éramos dentro de tudo o que tinha sido construído”, diz Ieda. Apesar do termo utilizado, a integração proporcionou um verdadeiro diálogo entre gerações, a nova geração não apenas ouvia, e foi ocupando seu espaço, trazendo perguntas e colocando sugestões, à medida que aumentava a relação de confiança. Hoje ocupam importantes papeis na governança, tanto societária, quanto corporativa.


O resultado desse projeto foi a construção de uma relação que vai além do âmbito familiar. “Conseguimos quebrar alguns carimbos que vinham da infância sobre a relação das diferentes gerações, oque facilita a sucessão nas famílias”, comenta Vanessa.



Uma nova década

“Estamos agora iniciando outro grande momento, que é escrever novamente um novo acordo com a participação da quarta geração. A terceira geração já conta com membros no Conselho de Administração, nossos negócios evoluíram e queremos nos manter relevantes nesse novo momento”, comenta Vanessa.


Segundo ela, esse processo é, decerta forma, facilitado pelo fato de que a geração mais nova está crescendo dentro desse contexto de governança. “Está muito internalizado, faz parte da cultura. E estamos todo dia aprendendo a ouvi-los mais, para entender seus anseios”, diz a presidente do Conselho Familiar. “Nosso principal objetivo é sermos sempre atraentes para as novas gerações, para que eles queiram manter o legado criado por nossos pais e avós”, completa.


Nesse processo, a terceira geração atua como mentora do projeto de evolução da governança familiar, que vem sendo desenvolvido pela quarta geração. Esse projeto segue as linhas mestras desenvolvidas dez anos atrás coma terceira geração, que teve a segunda como mentora: autoconhecimento, entendimento de quem é cada pessoa e o que ela quer da vida, o que cada um espera da vida e de sua carreira em relação ao Grupo Simões, como cada um se vê daqui a dez anos e oportunidades de evolução. “Eles terão que decidir se querem atuar diretamente no grupo, seguindo as regras existentes, ou delegar a outros membros da família a gestão”, comenta Vanessa. “Nós passamos por isso no passado e entendemos que temos que ajudar a quarta geração a tomar essa decisão também”, afirma.



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